Em um cenário marcado pela conectividade constante, a NIO Internet realizou um experimento interno de 48 horas sem uso de celular para observar os impactos comportamentais da hiperconectividade na rotina adulta. A iniciativa dialoga com movimentos globais como o Global Solidarity Foundation, responsável pela campanha “Phone Free February”, e com pesquisas científicas sobre o uso excessivo de smartphones.
O teste foi conduzido por Jonesson Oliveira, consultor de Growth da empresa, que passou um fim de semana completamente desconectado do aparelho.

Conectividade com responsabilidade
A proposta partiu de uma premissa direta: ampliar o acesso à internet não significa incentivar o uso descontrolado da tecnologia.
Segundo a campanha internacional, usuários chegam a checar o smartphone, em média, 221 vezes por dia. A discussão também é respaldada por estudos acadêmicos. Pesquisa da Universidade de Heidelberg, publicada na revista Computers in Human Behavior e divulgada no Brasil pela CNN Brasil, identificou que 72 horas de restrição do smartphone podem provocar alterações em áreas cerebrais ligadas ao sistema de recompensa, como o núcleo accumbens. Ao mesmo tempo, os voluntários apresentaram melhora no sono e no humor após o período de redução do uso.
O imediatismo e o papel do WhatsApp
Durante o experimento, Jonesson percebeu que o principal vínculo com o celular não estava nas redes sociais tradicionais, mas no WhatsApp.
Segundo ele, o imediatismo das mensagens cria uma expectativa de resposta quase automática. Para lidar com situações práticas, como receber lista de compras, foi necessário recorrer a ligações telefônicas e SMS, evidenciando como a comunicação instantânea molda padrões de urgência no cotidiano.
Dependência funcional e mobilidade urbana
Outro ponto observado foi a dependência de ferramentas digitais para deslocamento. Sem utilizar aplicativos de navegação, Jonesson precisou consultar rotas previamente pelo computador para se deslocar entre bairros da cidade de São Paulo.
A dificuldade em memorizar trajetos revelou como recursos como GPS se tornaram extensões cognitivas do usuário, facilitando a rotina, mas também reduzindo a autonomia espacial.
Pesquisas recentes associam o uso contínuo do smartphone a alterações nos padrões de atenção e processamento de informação, reforçando o debate sobre equilíbrio digital.
O “tédio” como efeito colateral
A ausência do celular também evidenciou um comportamento recorrente: o impulso automático de checar o aparelho em momentos de pausa, como durante o almoço ou intervalos em casa.
Sem acesso a redes sociais ou vídeos sob demanda no smartphone, o fim de semana exigiu novas escolhas de entretenimento. A experiência dialoga com estudo publicado na revista Pediatrics, que identificou diferenças comportamentais relevantes entre jovens que possuem smartphone e aqueles que não possuem, apontando impactos emocionais e sociais associados ao uso contínuo do dispositivo.
Debate sobre equilíbrio digital
A iniciativa da NIO Internet integra uma discussão mais ampla sobre saúde mental, autonomia e uso consciente da tecnologia. O experimento deve gerar novos conteúdos e incentivar períodos curtos de desconexão voluntária como forma de observação dos próprios hábitos digitais.
O caso se insere em um contexto global de reflexão sobre o papel da conectividade na vida cotidiana e seus efeitos comportamentais.






