▲ No destaque: Roberto De Lázari, diretor de parcerias estratégicas da All Tax.
A entrada da Reforma Tributária em sua fase decisiva, a partir de 2026, está redefinindo o papel da área fiscal dentro das empresas. O que antes era visto apenas como centro de custos passa a impactar diretamente margem, caixa e competitividade, especialmente com a adoção do novo modelo de IVA Dual.
Dados do Banco Mundial mostram que empresas no Brasil gastam até 1.500 horas por ano com obrigações tributárias, um contraste com a média de 155,7 horas nos países da OCDE. Esse cenário pressiona custos, aumenta riscos e reduz a capacidade de crescimento. “A tecnologia transforma o ciclo fiscal em um ativo estratégico, capaz de impactar diretamente lucro, caixa e capacidade de investimento”, afirma Roberto De Lázari, diretor de parcerias estratégicas da All Tax.
Segundo o executivo, a combinação entre a complexidade do sistema tributário brasileiro e as exigências da Reforma torna a reestruturação da área fiscal uma questão de sobrevivência. “O fiscal deixa de ser reativo e passa a operar como um hub de governança e performance.”
Processos manuais ampliam riscos e consomem tempo estratégico
Apesar da digitalização dos negócios, muitas empresas ainda operam com processos fiscais manuais e fragmentados. Esse modelo consome cerca de 30% do tempo dos profissionais da área, além de gerar inconsistências, retrabalho e interpretações divergentes. “A melhoria da qualidade dos dados é o primeiro grande ganho da automação fiscal. Sem dados confiáveis, não existe eficiência tributária”, explica De Lázari.
A falta de automação também reduz visibilidade e rastreabilidade, ampliando disputas administrativas, judicialização e insegurança jurídica. Em um ambiente de mudanças constantes, a incapacidade de adaptação em tempo real eleva o risco de autuações, com multas que podem chegar a 150% do valor do imposto devido.
Automação fiscal reduz erros em até 95% e melhora retorno financeiro
Empresas que adotam sistemas automatizados e integrados conseguem reduzir prazos operacionais de dias para minutos, além de elevar significativamente a segurança fiscal. “A automação elimina até 95% dos erros manuais e gera um ROI médio de 40% na redução do custo operacional anual”, afirma o executivo.
O uso de Inteligência Artificial também avança rapidamente. Pesquisa da KPMG, publicada em outubro de 2025, indica que 60% das empresas brasileiras consideravam utilizar IA Generativa em relatórios fiscais. Destas, 37% já haviam testado ou implementado soluções para rastreamento de despesas e deduções, enquanto 22% utilizavam IA para monitoramento e conformidade regulatória.
Esse movimento se intensifica com a chegada das Inteligências Artificiais autônomas, ou Agentic AI, capazes de detectar mudanças legislativas em tempo real, atualizar regras fiscais automaticamente e executar apurações com mínima intervenção humana. “Essas tecnologias identificam exceções, corrigem inconsistências e escalam análises quando necessário, mantendo governança, rastreabilidade e segurança jurídica”, explica De Lázari.
IVA Dual torna o dado fiscal um elemento de margem e liquidez
Com a Reforma Tributária, o crédito tributário passa a depender diretamente da qualidade e validação digital dos dados desde a origem da operação. Erros ou inconsistências podem comprometer o direito ao crédito, afetando diretamente a margem e o fluxo de caixa. “Na prática, o crédito se torna um elemento estrutural de margem e liquidez”, afirma o executivo. “Empresas com governança de dados bem estruturada tendem a capturar mais créditos, com mais velocidade e menos risco.”
Embora os novos tributos CBS e IBS ainda não sejam cobrados nesta fase inicial, eles já passam a constar nos documentos fiscais. Para De Lázari, 2026 será o ano decisivo da preparação. “A Reforma Tributária premia quem controla dados e processos e penaliza quem opera no improviso. Governança fiscal, hoje, é retorno financeiro.”






