Em um momento de transformações aceleradas no mercado de hardware, a ADATA, uma das maiores fabricantes globais de memórias e soluções de armazenamento, e sua divisão gamer XPG, ampliam sua atuação no Brasil com um plano de expansão que vai além dos componentes tradicionais. Memórias, SSDs e fontes continuam sendo o coração da operação nacional, mas a estratégia agora mira um ecossistema mais completo, que inclui gabinetes, soluções de refrigeração, periféricos e até cadeiras gamer.
Para entender essa fase de crescimento e as particularidades do mercado brasileiro, conversamos com Thiago Stancof Tieri, Gerente de Marketing da ADATA e da XPG no Brasil, profissional com mais de 20 anos de experiência no setor e passagem por marcas como Gigabyte, Wacom e Megaware. No bate-papo, Tieri detalhou a evolução das marcas, os desafios de trazer novos produtos ao país, a importância da fabricação local e o papel da comunidade gamer na consolidação do portfólio.
“A ADATA já tem 25 anos de mercado e a XPG quase 20 como marca gamer. Fomos construindo um ecossistema completo, sempre com a qualidade das memórias como base”, explica o executivo. Ele lembra que a operação brasileira possui um diferencial raro no setor: “Temos RMA (Return Merchandise Authorization (Autorização de Retorno de Mercadoria)) feito no Brasil, e qualquer problema recebe o suporte direto da fábrica.”
Do hardware essencial ao lifestyle gamer
Embora memórias e SSDs continuem sendo o carro-chefe da marca no país, o catálogo nacional está se diversificando rapidamente. Tieri destaca que o público brasileiro está cada vez mais receptivo a gabinetes, fontes e soluções térmicas — categorias que trazem forte apelo visual e técnico, características marcantes da XPG.
Entre os destaques recentes estão novos modelos de gabinetes premium, como versões do tradicional Invader X e designs mais ousados, como o chassi triangular com exoesqueleto. Na linha de refrigeração, a marca aposta em novos water coolers e coolers a ar, incluindo modelos com telas integradas e compatibilidade com as gerações mais recentes de Intel e AMD.

Segundo Tieri, essas novidades começam a chegar ao país gradualmente. “Esses gabinetes mais novos devem desembarcar no Brasil por volta do meio do ano, que é o ‘tempo Brasil’ de logística. Fontes e memórias já estão amplamente disponíveis, e estamos trabalhando para trazer periféricos em quantidades que permitam testar o mercado.”
A expansão também inclui cadeiras gamer e office, além de mousepads, mouses, teclados e headsets. “Já tivemos uns quatro ou cinco modelos de teclados e alguns headsets ao longo dos anos. O objetivo é oferecer um ecossistema gamer realmente completo”, comenta.
À medida que amplia sua presença no país, a XPG também trabalha um posicionamento de mercado que busca equilibrar performance e acessibilidade, um ponto sensível para o consumidor brasileiro. Tieri explica que a marca não pretende disputar o topo do preço, mas também não quer abrir mão da qualidade. “Nosso foco é entregar um custo-benefício real. Não seremos a marca mais barata, mas também nunca a mais cara.”
Ele reforça que esse equilíbrio é possível graças à reputação construída em memórias e SSDs, que serve como porta de entrada para outras categorias do ecossistema XPG. “Essa confiança é o que faz o consumidor apostar em nossos gabinetes, periféricos e soluções térmicas”, diz.
Refrigeração ganha protagonismo
Com CPUs e GPUs cada vez mais potentes, as soluções térmicas se tornaram parte central da estratégia da XPG — e isso se reflete diretamente na nova geração de produtos apresentada pela marca. Além de evoluções em design e engenharia, a XPG está levando ao mercado modelos de refrigeração que misturam eficiência térmica, estética e recursos avançados.

Entre os destaques estão o Levante View Pro e o Levante X 360, water coolers que chegam com diferenciais que chamam atenção no setup. O Levante View Pro, por exemplo, traz uma tela curva que cobre o topo do bloco do processador, criando um efeito visual que combina monitoramento com personalização — algo que conversa diretamente com a comunidade entusiasta. Já o Levante X 360 reforça a linha tradicional da marca, oferecendo alta dissipação e compatibilidade com as gerações mais recentes de Intel e AMD.
A XPG também ampliou sua presença em coolers a ar com os novos Maestro View e Vento Infinity, ambos projetados para acompanhar processadores mais exigentes, mantendo silêncio e airflow eficiente. Esses produtos, somados aos novos gabinetes com ventilação aprimorada, reforçam a visão da marca de que térmica e design caminham lado a lado.
Mas se a tecnologia avança, o público ainda tem dúvidas, especialmente sobre water coolers. Tieri reconhece que esse é um desafio recorrente no Brasil: “Usamos influenciadores e mídias especializadas para mostrar na prática a diferença entre um water cooler e um cooler comum. O público vê benchmarks, entende a performance e percebe que não é luxo — é necessidade, principalmente para quem faz overclock ou usa hardware pesado.”
Ele explica que a estratégia da XPG inclui também educar o usuário sobre airflow, organização de cabos e manutenção, práticas simples que impactam diretamente no desempenho geral da máquina. E, para um público cada vez mais atento à estética e performance, a combinação entre design chamativo e eficiência térmica tem se mostrado um caminho natural.
Comunidade gamer, influenciadores e eSports
Além da expansão do portfólio no Brasil, a XPG aposta em uma aproximação mais profunda com a comunidade gamer para fortalecer seu posicionamento. Para a marca, estar presente no cenário competitivo e entre influenciadores não é apenas uma ação de visibilidade, mas um componente fundamental na construção de confiança com o público, especialmente em categorias em que a experiência prática e o boca a boca pesam tanto quanto especificações técnicas.
Historicamente, a XPG já apoiou organizações de destaque mundial, como MIBR e Team Liquid, algo confirmado por Thiago Tieri durante a entrevista. Agora, a estratégia evolui para uma relação ainda mais próxima do cenário nacional.“Começamos uma conversa com o Fluxo, a W7M também. Vai vir novidade por aí, ainda não tenho nada fechado para o ano todo,” explica o gerente, antecipando que a marca pretende retomar o investimento mais direto em equipes brasileiras.
Além dos times, a XPG mira campeonatos e ativações em grandes eventos — estratégia que combina promoção da marca com experimentação real dos produtos. “Estamos planejando ter algum campeonato na Gamescom, uma final de algum campeonato”, revela Tieri, reforçando que a marca vê essas iniciativas como extensão natural de seu ecossistema de hardware e lifestyle.
O relacionamento com influenciadores também desempenha papel central. Segundo Tieri, criadores de conteúdo são essenciais para demonstrar a performance dos produtos em cenários reais, desde unboxings e reviews até setups completos utilizando memórias, gabinetes, fontes e soluções térmicas da XPG.“Manter proximidade com a comunidade gamer sempre foi essencial. Temos muitas campanhas nas redes sociais e campanhas globais com prêmios, para estar sempre próximos”, afirma.
Para a marca, essa presença constante é o que sustenta a expansão do ecossistema no Brasil: ela cria familiaridade, reduz barreiras de entrada e coloca os produtos na mão das pessoas que definem tendências, dos jogadores competitivos aos criadores que inspiram milhares de novos consumidores.
Fábricas no Brasil ajudam, mas não permitem ampliar portfólio
Embora a ADATA tenha uma operação sólida no país, com duas fábricas responsáveis pela produção de memórias e SSDs, a expansão para outras categorias, como mouses, teclados ou headsets, permanece fora do alcance por um motivo simples: o custo Brasil. Sem incentivos fiscais específicos, fabricar qualquer coisa além de memória e armazenamento se torna economicamente inviável.
Tieri explica que a decisão não tem relação com capacidade técnica, mas com a lógica de escala e tributação:“Fabricar um mouse ou teclado aqui ficaria mais caro do que importar. A fábrica da China produz para o mundo todo, em volumes enormes. Sem incentivo fiscal, não é viável competir.”
A realidade é que o PPB (Processo Produtivo Básico) torna economicamente competitivo apenas o que já possui demanda massiva e incentivos estruturados, como memórias e SSDs. Esses produtos permanecem como os únicos viáveis para fabricação local e isso garante benefícios importantes, como agilidade no RMA, disponibilidade de estoque e um controle maior da qualidade entregue ao consumidor brasileiro.
Ainda assim, a marca reconhece que, com políticas adequadas, seria possível ampliar essa produção. “Talvez se tivéssemos um incentivo fiscal em outros produtos ficaria mais fácil fabricar no Brasil um mouse, um teclado, um headset, que nem têm um processo tão complexo quanto o de uma memória”, diz Tieri.
O que vem pela frente
Com uma operação local estruturada e um portfólio em expansão, a ADATA e a XPG caminham para um ano de consolidação no Brasil. A estratégia passa por ampliar a oferta de produtos, das memórias e SSDs fabricados nacionalmente às novas linhas de gabinetes, fontes, cadeiras e soluções térmicas, sempre acompanhando o ritmo do mercado e o “tempo Brasil” de importação.
O relacionamento com a comunidade também deve ganhar força, seja com a chegada de novos periféricos, seja com iniciativas envolvendo influenciadores, campeonatos e parcerias com equipes de eSports. Para Thiago Tieri, essa proximidade é parte essencial da identidade da marca. “Se a pessoa está na dúvida entre um modelo ou funcionalidade, pode mandar mensagem no nosso Instagram que a gente responde”, afirma, destacando o canal como ponto de contato direto com os consumidores.
Entre logística, expansão e a busca por um ecossistema mais completo, a meta da ADATA e da XPG é clara: entregar produtos competitivos e fortalecer sua presença no cotidiano dos gamers brasileiros, contribuindo para uma comunidade mais conectada, informada e bem atendida.






