A robótica educacional vem ganhando espaço como ferramenta estratégica para enfrentar desafios históricos da educação básica no Brasil. Dados da pesquisa TIC Educação indicam que 70% dos educadores já buscaram novas metodologias de ensino por meio de tecnologias digitais — um movimento que reforça a adoção de recursos inovadores em sala de aula.
Especialistas apontam que a aplicação estruturada da robótica pode contribuir para reduzir disparidades na aprendizagem, ao tornar conteúdos abstratos mais acessíveis e estimular o engajamento dos estudantes.
“No dia a dia das escolas, o desafio é tornar conteúdos abstratos mais próximos da realidade dos alunos”, afirma Alex Paiva, head de produtos do Educacional – Ecossistema de Tecnologia e Inovação, negócio da Positivo Tecnologia voltado ao setor educacional. “Soluções educacionais com robótica são adaptáveis a diferentes ritmos de aprendizagem e promovem inclusão digital, reduzindo a disparidade de acesso à tecnologia gerada pela desigualdade socioeconômica.”

Integração entre programação, IA e BNCC
Ferramentas contemporâneas de robótica permitem que conceitos de programação e inteligência artificial sejam apresentados de forma prática e interdisciplinar. A proposta é integrar conteúdos de ciências da computação às disciplinas previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como matemática e ciências, em experiências lúdicas.
Entre as soluções recentes disponíveis no país está a LEGO Education Computer Science & AI, composta por kits desenvolvidos para introduzir estudantes e escolas em conceitos de IA, programação e robótica.
O desenvolvimento dessas habilidades pode levar alunos e professores a iniciativas como a FIRST LEGO League, competição educacional que estimula criatividade e inovação a partir do aprendizado com robótica. O torneio, atualmente baseado na linha LEGO SPIKE, passa por atualizações para um formato mais dinâmico, com maior ênfase em habilidades socioemocionais.
Uso de IA cresce, mas orientação ainda é limitada
O cenário também evidencia desafios. Segundo o TIC Educação 2024, 15% dos estudantes dos anos iniciais e 39% dos anos finais já utilizam ferramentas de inteligência artificial no ambiente escolar. No entanto, apenas 19% afirmam ter recebido orientação docente para aplicar essas tecnologias em atividades pedagógicas.
“A integração com novas soluções garante continuidade às experiências educacionais e abre espaço para evoluções que vão além da codificação, incluindo temas como ética em inteligência artificial e classificação de dados”, diz Paiva. “A educação precisa acompanhar as transformações da sociedade e das diferentes formas de aprender. Ao oferecer ferramentas em parceria com a LEGO® Education, apoiamos e incentivamos práticas pedagógicas que façam sentido para a realidade das escolas e dos alunos“.
Adoção gradual e estruturada
Outro ponto destacado é a possibilidade de implementação progressiva dessas tecnologias. A adoção gradual permite que escolas incorporem recursos de robótica mesmo diante de limitações de infraestrutura ou pouca experiência prévia.
“Nesse processo, a tecnologia passa a ser utilizada de forma intencional, ajudando educadores a adaptar conteúdos a diferentes perfis de turma e a transformar conceitos teóricos em experiências concretas de aprendizagem”, conclui o executivo.
O tema também foi debatido recentemente em uma live realizada no dia 4 de fevereiro, que abordou o papel da robótica educacional e da inteligência artificial na redução das desigualdades no ensino básico.






