A Biostation, especializada em segurança e identificação biométrica, e a Softnex, fornecedora de infraestrutura para meios de pagamento, anunciaram uma parceria tecnológica e comercial para desenvolver uma solução de pagamento por biometria palmar. A tecnologia permite autenticar compras pela leitura das veias da palma da mão, sem a necessidade de cartões físicos, celulares ou senhas.
A solução foi demonstrada durante a Febraban Tech 2026, realizada de 24 a 26 de agosto no Distrito Anhembi, em São Paulo. Atualmente em testes operacionais, a tecnologia deverá avançar para os primeiros projetos-piloto no mercado brasileiro ainda neste trimestre. A apresentação também está prevista para ocorrer no Oracle Innovation Center, em São Paulo, em data ainda não informada.
Como funciona o pagamento pela palma da mão
A tecnologia utiliza biometria vascular, também conhecida como Palm-Vein, para reconhecer padrões presentes nas veias localizadas sob a pele. Como essas características são utilizadas para identificar o usuário, a autenticação pode vincular a identidade cadastrada à transação realizada dentro do sistema de pagamento.
Na prática, o consumidor aproxima a palma da mão do leitor para autorizar a compra. A solução combina a tecnologia biométrica da Biostation com a infraestrutura da Softnex para captura, processamento e gerenciamento das transações eletrônicas.
“Estamos cruzando uma nova fronteira da conveniência no varejo e em ecossistemas fechados. O cliente não precisa procurar um cartão ou desbloquear o smartphone para realizar uma compra; a autenticação acontece a partir de uma característica única do próprio usuário”, afirma Leonardo de Araujo de Assis, CEO da Biostation.
Solução mira redes próprias de pagamento
Inicialmente, a parceria está direcionada aos chamados arranjos fechados, sistemas nos quais os meios de pagamento são aceitos dentro de uma rede ou ecossistema específico. É o caso de cartões de lojas, programas de fidelidade, benefícios corporativos, alimentação, premiação, antecipação salarial e gestão de frotas.
Entre os ambientes que podem adotar a tecnologia estão grandes varejistas, universidades, clubes de compras, complexos empresariais, parques temáticos, arenas, resorts, refeitórios industriais, sistemas de transporte e operações ligadas ao turismo.
Em um parque temático, por exemplo, o visitante poderia cadastrar sua biometria ao entrar e utilizar a palma da mão para autenticar compras durante sua permanência no local. O mesmo modelo poderia ser empregado em universidades, empresas ou resorts nos quais o usuário já mantenha uma relação recorrente com o estabelecimento.
Para Jefferson José Gomes, CEO da Softnex, a integração acrescenta uma nova alternativa às empresas que administram cartões e redes próprias de pagamento.“Ao integrar a biometria palmar da Biostation à nossa infraestrutura de pagamentos, ampliamos o conjunto de soluções disponíveis para nossos parceiros e acrescentamos uma nova camada de segurança e praticidade à experiência de pagamento”, afirma.
Proteção dos dados biométricos
De acordo com as empresas, o projeto foi desenvolvido considerando as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Essa etapa é particularmente relevante porque informações biométricas são classificadas pela legislação como dados pessoais sensíveis e exigem medidas específicas de proteção, controle e governança.
A expectativa das companhias é iniciar a adoção em ambientes nos quais os pagamentos sejam recorrentes e ocorram dentro de redes previamente delimitadas. Posteriormente, a tecnologia poderá ser empregada em outras jornadas de consumo associadas aos chamados pagamentos invisíveis, modelo no qual a autenticação e a cobrança são incorporadas ao atendimento com menos etapas aparentes para o usuário.
Operação das empresas
A Biostation desenvolve soluções de biometria multimodal, autenticação vascular, segurança de identidade e controle de acesso, com aplicações em setores como serviços financeiros, mobilidade, saúde e educação. Já a Softnex atua há 20 anos com infraestrutura tecnológica para arranjos fechados e mantém operações no Brasil, em Portugal e em Angola.
Segundo as informações fornecidas pelas empresas, a Softnex está conectada a 25 redes adquirentes e sua tecnologia atende aproximadamente 60 milhões de cartões no Brasil.






