A XPG, marca gamer da ADATA voltada para produtos de alta performance, tem reforçado sua estratégia de atuação no Brasil com foco na aproximação com o público e na ampliação da percepção sobre seu portfólio.
Durante a gamescom latam 2026, no Distrito Anhembi, conversei com Daniel Santarem, gerente comercial e de marketing da ADATA Brasil, para entender de perto como a XPG vem reposicionando sua atuação no país. Mais do que marcar presença em um dos principais eventos de games da região, a marca parece usar esse tipo de ambiente como uma extensão direta da sua estratégia.

Experiência como ponto de partida
Para Santarem, a participação em eventos como a gamescom não se resume à exposição de produtos, mas a uma oportunidade estratégica de aproximação direta com o consumidor, algo que, segundo ele, influencia inclusive na decisão da marca sobre onde investir. “A gente quer cada vez mais se aproximar do público brasileiro, ouvir o feedback dos nossos produtos novos”, afirmou.
Essa escolha estratégica está diretamente ligada ao formato de cada evento. Segundo Santarem, a gamescom latam oferece um ambiente muito propício para a construção de experiências completas, impulsionado pela infraestrutura do local e pela abertura para a colaboração entre marcas. “É a organização de feira que nos dá a melhor oportunidade. Quando isso acontece, a gente acaba optando por estar presente”, pontua o gerente.
Na prática, essa estratégia se traduz em um estande pensado para a interação contínua. Em vez de um espaço puramente contemplativo, a marca aposta em experiências que colocam o público em contato direto com um ecosistema, seja testando produtos, participando de ativações ou acompanhando partidas ao lado de criadores de conteúdo. Ao explicar essa dinâmica, Santarem acrescentou que a fabricante cultiva “muita proximidade com influenciadores e nomes do eSports”, elemento-chave para atrair o público jovem.
Esse entrosamento dita o ritmo do espaço ao longo do evento. Os visitantes circulam, retornam ao estande e formam filas para garantir seu momento nas dinâmicas ou interagir com seus ídolos digitais, gerando um movimento constante que é a peça central de toda a estratégia da marca.

Da memória ao ecossistema gamer
Reconhecida principalmente por memórias e SSDs, a XPG vive hoje um momento de transição no posicionamento da marca. A empresa tem ampliado seu portfólio e busca se consolidar como uma plataforma mais completa dentro do universo gamer, movimento que, segundo Daniel Santarem, ainda não está totalmente refletido na percepção do público. “Muita gente conhecia a XPG, mas não sabia que tinha produtos além de memória e SSD”, explicou.
Para o executivo, esse descompasso entre portfólio e percepção é justamente um dos principais desafios da marca no Brasil. E é aí que entram eventos como a gamescom. “A gente trouxe produtos novos, como as cadeiras, que foram lançadas recentemente. A ideia é justamente mostrar isso para o público”, destacou.
Na visão de Santarem, o ambiente presencial acelera esse processo de reposicionamento, já que permite que o consumidor vá além do conhecimento superficial e tenha contato direto com as soluções. “A gente quer mostrar para o gamer brasileiro que a XPG não é só memória e SSD. Esse é o nosso carro-chefe, é onde a gente sabe fazer, mas não é só isso”, afirmou.

eSports no radar, mas com cautela
O interesse da XPG no universo competitivo também aparece como um dos caminhos naturais de expansão da marca, embora ainda tratado com cautela. “É um interesse nosso. A exposição de marca quando você patrocina uma equipe é outro nível”, avaliou Santarem.
Para o executivo, o potencial dos eSports vai além da visibilidade pontual, funcionando como um canal contínuo de conexão com o público, especialmente pela presença constante das marcas no dia a dia das equipes, jogadores e transmissões.
Apesar disso, ele ressalta que esse tipo de investimento exige uma estrutura mais alinhada entre as frentes local e global da empresa. “A gente precisa sempre alinhar a expectativa do time Brasil com o time global”, explicou.
Segundo Santarem, a XPG já teve experiências anteriores com equipes, mas hoje a marca segue em um momento de avaliação, priorizando movimentos que façam sentido dentro de uma estratégia mais ampla.
“Hoje não tem nenhum projeto fechado, mas é algo que estamos discutindo internamente”, acrescentou. Nesse cenário, a aproximação com influenciadores e nomes do cenário competitivo funciona como um primeiro nível de atuação, permitindo que a marca mantenha presença e relevância enquanto estrutura possíveis passos mais consistentes no futuro.
Equilíbrio estratégico
O sucesso de público, no entanto, não anula o peso das decisões de bastidores. Santarem destaca que a participação nesses palcos exige uma análise criteriosa de custo-benefício, pontuando que o investimento financeiro e a energia desprendida são altos. Essa realidade dita o ritmo de expansão para outros festivais da cultura pop e tech, a exemplo da CCXP. Há o interesse em abraçar novos espaços, mas a decisão final passa por avaliar a viabilidade de dividir esforços em mais de um grande evento simultâneo.
Essa cautela, contudo, não diminui o papel das feiras como ferramenta essencial de conexão. Pelo contrário: elas materializam o propósito atual da empresa no mercado nacional. Para Santarem, o foco está em expandir fronteiras: “A nossa ideia é mostrar que a XPG não está só dentro do computador. A gente está trazendo a marca para fora também, para fazer parte da experiência do gamer”.






